Natal · personagens
Papai Noel: a história por trás do personagem
O Papai Noel descende de São Nicolau, bispo do século IV em Mira, na Ásia Menor, famoso por presentear às escondidas. O santo virou o Sinterklaas holandês, o Sinterklaas virou o Santa Claus americano e, no século XX, a publicidade fixou a imagem que o mundo inteiro reconhece.
São Nicolau
Bispo de Mira, século IV. Presenteava em segredo. Festa em 6 de dezembro.
Sinterklaas
Versão holandesa que atravessou o Atlântico com os colonos e virou Santa Claus em Nova York.
Bom Velhinho
Nome brasileiro do personagem, que aqui trabalha vestido de inverno em pleno verão.
O santo
Nicolau foi bispo de Mira, na província da Lícia, região que hoje corresponde ao sul da Turquia. Os relatos sobre sua vida são tardios e mesclam história e lenda, mas o traço constante é a generosidade discreta. O mais repetido conta que ele deixou bolsas de ouro na casa de um homem empobrecido, à noite e sem se identificar, para que as filhas pudessem casar — dali vêm o presente anônimo e o costume de deixar algo em meias ou sapatos. No século XI suas relíquias foram levadas para Bari, na Itália, e o culto se espalhou pela Europa, sobretudo nos Países Baixos.
Da Holanda para a América
Nos Países Baixos o santo virou Sinterklaas, figura de mitra e báculo que chega de barco e distribui doces na noite de 5 para 6 de dezembro. Colonos holandeses levaram o costume para a América do Norte, e o nome se deformou até virar Santa Claus. Três camadas do século XIX completaram a transformação: a literatura satírica de Washington Irving, que popularizou a figura em Nova York; um poema de 1823 que fixou o trenó, as renas e a chaminé, de autoria tradicionalmente atribuída a Clement Clarke Moore e ainda disputada; e as ilustrações de Thomas Nast, a partir da década de 1860, que deram ao personagem o corpo gordo, a barba branca, a oficina e o endereço no Polo Norte.
A verdade sobre a roupa vermelha
A frase "a Coca-Cola inventou o Papai Noel vermelho" é falsa. A empresa passou a usar o personagem em campanhas de fim de ano a partir do início dos anos 1930, em ilustrações de Haddon Sundblom que rodaram por décadas em revistas de grande circulação. A série foi decisiva para padronizar e difundir mundialmente o velho gordo, de barba branca e roupa vermelha com pele branca — mas não criou o traje. Ilustrações, cartões e anúncios de outras marcas já mostravam Papais Noéis de vermelho nas décadas anteriores, inclusive em gravuras coloridas do século XIX. O que a publicidade fez foi eliminar as versões concorrentes, que apareciam também de verde, marrom ou azul.
O Bom Velhinho no Brasil
Por aqui o personagem chegou no século XX, junto com a árvore de Natal e o cartão de fim de ano, e ganhou o apelido de Bom Velhinho. A incongruência nunca foi corrigida: um senhor de casaco forrado, botas e gorro de pele trabalha sob 30 graus, no auge do verão. Ele desce de helicóptero em estacionamento de shopping e, nas cidades pequenas, desfila em carro de bombeiro. A entrega, diferentemente do modelo americano, acontece na noite de 24 de dezembro, e não na manhã seguinte. Uma campanha dos Correios mantida há décadas responde cartas de crianças e transforma parte delas em presentes entregues por padrinhos voluntários.
Como falar com as crianças
Não existe idade certa, mas a dúvida costuma aparecer por volta dos sete ou oito anos, quando a criança começa a testar a plausibilidade da história.
- Devolva a pergunta. "O que você acha?" quase sempre revela que ela já concluiu sozinha e só quer confirmação de um adulto.
- Diante de pergunta sincera, não invente mentira nova. Explicar que o Papai Noel é uma história mantida há gerações preserva a tradição sem transformar a resposta em engano.
- Convide-a para o outro lado. Preparar presentes em segredo para irmãos menores compensa a perda: a criança deixa de receber a mágica e passa a fazê-la, lógica idêntica à do amigo secreto.
- Combine o silêncio diante dos menores da casa; vira um pacto entre adultos e agrada.
- Não use o personagem como chantagem. Condicionar presente a comportamento transforma uma tradição afetuosa em punição, e o efeito dura pouco.
Famílias que não trabalham com a figura do Bom Velhinho não perdem nada: o presente entregue abertamente por quem escolheu funciona igual. Sugestões por perfil e faixa de valor em presentes de Natal.
A Coca-Cola inventou o Papai Noel de vermelho?
Não. As campanhas ilustradas por Haddon Sundblom para a Coca-Cola a partir dos anos 1930 tornaram a figura do velho gordo e sorridente de roupa vermelha dominante no mundo inteiro, mas não a criaram. Papais Noéis vestidos de vermelho já apareciam em ilustrações, capas de revista e anúncios de outras empresas nas décadas anteriores.
Quem foi São Nicolau, o santo por trás do Papai Noel?
Um bispo do século IV que viveu em Mira, na Lícia, região da Ásia Menor correspondente à Turquia atual. Ficou conhecido pela generosidade discreta, sobretudo pelo episódio das bolsas de ouro deixadas às escondidas na casa de um homem pobre para o dote das filhas. Sua festa é celebrada em 6 de dezembro.
Como falar de Papai Noel com as crianças?
Quando a criança pergunta de verdade, devolva a pergunta antes de responder: quase sempre ela já concluiu sozinha e busca confirmação. Explicar que o Papai Noel é uma história que os adultos mantêm por gerações, e convidá-la a virar uma das pessoas que preparam presentes em segredo, preserva o encanto sem exigir mentira nova.